não sei, sinto-me inadequada em várias situações recentes.
nada que eu possa vestir, falar, escrever, expressar parece servir.
há ruídos demais, interferências que se sobrepõem e tem me sobrado uma constante sensação de inadequação.
estou no lugar errado ou sou a pessoa errada, talvez as duas possibilidades, deve estar tudo errado.
é como se eu estivesse respondendo a uma prova de vestibular da dona vida, ela trouxe questões tão antigas, tão batidas e recorrentes que eu, na minha santa arrogância, achei que tiraria de letra.
e fui marcando as alternativas, escolhendo os quesitos, fazendo minhas contas, traçando gráficos, compondo tratados, tentando argumentar e argumentar e provar por As + Bs que eu poderia ter as respostas certas.
não tenho.
CLARO!
consegui errar todas, consegui marcar todas as respostas equivocadas e minhas contas não fecharam e meus gráficos ficaram tortos e eu me vi sem nenhum talento para negociar, pedir segunda prova, muito menos para colar ou para fazer adivinhações do quais seriam as respostas certas.
talvez elas nem existam.
será?
talvez só existam mesmo, pra valer, as questões.
com as mãos cheias de perguntas que jamais serão respondidas sigo... eu e minha inadequação...
eu e minhas roupas estranhas, eu e meus cabelos desarrumados, eu e meus livros já lidos e lidos de novo, eu e minha lingerie boba eu e minhas palavras inadequadas, meus passos inadequados, minha existência inadequada.
no último sonho, alguém chegava de surpresa.
o porteiro avisava pelo interfone e eu corria pelo apartamento como uma maluca recolhendo roupas e mais roupas espalhadas, bagunçadas pela casa... colocava as roupas em um cesto, escondia-as nos armários e elas não paravam de aparecer.
e nenhuma delas servia.
nenhuma era a roupa adequada para receber a visita.
por isso, agora, vou nua.
estou nua, na chuva!
no itunes: buddy guy - little dab-adoo