10 de setembro de 2011

time to smoking

então eu realmente voltei a fumar mesmo...
e exatamente do mesmo jeito que há doze anos: um dia, um traguinho só por diversão, o traguinho dando aquela tontura gostosa de quem não está acostumado, aí mais um aqui, outro ali, e puft, quando a gente vê, já está comprando maços de novo e ficando preocupada quando fica sem...
não sei se é vício [se fosse, talvez eu não tivesse conseguido, em certa ocasião, parar por uns quatro anos], mas a verdade é que eu gosto....sim, eu gosto, acostume-se...
fumar me dá motivo pra sair da sala, ou da gráfica, ou de qualquer lugar onde a fumaça de um cigarro possa incomodar loucamente ou envenenar mortalmente outras pessoas, normalmente delicadas flores que cheiram fumaça de óleo diesel aos quilos todo dia, se entopem de picanha cancerígena e bolachinhas recheadas com gordura trans sabor artificial de morango, flertam [flertam nada, trepam, em todas as posições listadas pelo kama sutra e em mais 17,5 ainda em fase experimental e não aprovadas pelo F(o)DA] com a cirrose e fodem com a paciência dos circunstantes através do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e do uso extremamente econômico do próprio superego e de qualquer migalha de educação que suas mães e pais lhes tenham dado, tomam remédios pra emagrecer que as deixam maníacas e agressivas ou ansiolíticos que as deixam lerdas, burras e sonolentas, piram sem contemplar a quantidade de pesticidas, hormônios sintéticos e transgênicos existente em suas verdurinhas, frangos atropelados e grãos super saudáveis, ou seja: o cigarro não deixa de ser uma espécie de arma anti-mala histérico-hipócrita-burro, uma desculpa para a solidão, um repelente contra representantes da juventude sadia-e-dourada e da velhice apavorada ao mesmo tempo, com o ganho extra de que até as criancinhas ultra-chatas também são incentivadas a sair de perto do dragão cospe-fogo que insiste em não embarcar nesta forma de histeria, discriminação e perseguição em particular...
infelizmente, por outro lado meu pobre Free atrai também a forma de vida mais baixa do my own private livrinho de biologia: o chato saudável que só quer o seu [ou, no caso, o meu] bem [sem que ninguém lhe tenha pedido, ou permitido, tal preocupação, mas isso pra ele é detalhe sem importância] e portanto não pode deixá-lo se envenenar sozinho e em paz no seu canto, sem se sentir mandado por Deus e o destino a vestir sua capa sagrada, pegar a espada de fogo e a auréola de santo e vir encher o saco, seja com dados e estatísticas sobre as mortes causadas pelo cigarro, seja com gracinhas imbecis sobre fumantes serem fedidos ou, pior ainda, sacar da originalíssimas piadinhas da década de 70 do século passado e sem graça desde então...
eu sei que cigarro faz mal, não preciso que ninguém me diga isso, assim como sei que praticamente tudo o que eu respiro, como, bebo, ingiro como remédio ou passo na pele como hidratante também faz... da mesma forma como tantos desses chatinhos health-crazed sabem que a AIDS ainda mata, mas preferem acreditar que não porque não gostam de usar camisinha, ou desconfiam que talvez morar sob torres elétricas lhes cause câncer, mas não estão dispostos a procurar outra casa ou a criar caso com as companhias que fornecem eletricidade [ou a indústria alimentícia, ou automobilística, ou eletrônica E ATÉ A tabagista, enfim: com corporações grandes, poderosas, bilionárias e cheias de advogados]... normal, né?! muuuuito mais fácil, prático e econômico pegar no pé ou torrar as paciências da pessoa física indefesa, ou seja, do pobre coitado fumante mais próximo....
a pessoa supre sua necessidade vital de se sentir superior a qualquer um, dá um tapa gostoso no seu complexo de santa, elimina qualquer desconfiança de estar sendo um prego com a justificativa de estar sendo altruísta – ahã – e não gasta um tostão nem compra briga com alguém que possa reduzi-la [e aos seus argumentos] ao pó de traque que, no fundo, ela já sabe que é....
eu sei que, com a minha saúde já em declínio há um bom tempo, em algum momento vou ter que parar de fumar novamente, de preferência de uma vez por todas, e provavelmente farei isso, mas farei quando e se quiser, porque eu quero, e não porque bobos manipulados de diversos tipos que gostam de se sentir superiores a mim porque não fumam, me dizem que eu devo...
e finalmente, porque ao contrário de todos esses gênios da raça, eu já percebi que fumando ou não, bebendo ou não, comendo ou não transgênicos, gorduras saturadas e o escambau, eu – e oh, sim, todos eles também – certamente vou morrer um dia, e não tenho o menor controle sobre quando ou como, pensamentozinho desagradável, né?! tem gente que acha melhor nem lembrar disso, ou, se a lembrança surgir, beber pra esquecer...
eu prefiro acender um cigarro... e pensar a respeito....
pensar, sim, é um vício, e deste eu não quero me livrar nunca!

no itunes: chico - juca

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