19 de agosto de 2011

talking to myself

"você é muito sutil num mundo muito barulhento"
ouvi isso hoje no final da minha sessão de terapia e venho pensando desde então o que isso realmente quer dizer, ou deve me dizer.
eu sou do tipo que quando precisa analisar alguma coisa, vai a fundo, então fui ver o significado direito das palavras, pra evitar interpretações erradas.
e devo admitir que quando achei o significado de sutil, fiquei um pouco assustada, não que não soubesse, mas depois de ler tantos significados, fiquei realmete pensativa em como essa frase pode ser ao mesmo tempo um elogio como uma ofensa.
tenho quase certeza, pela pessoa que fez esse comentário, que a ideia era exatamente essa me fazer pensar pro bem e pro mal, e tirar ou não proveito disso.
tentando ser racional de uma forma menos extremista, é complicado entender o que tudo isso pode ser, me sinto cercada num mundo estranho, isso não é uma dúvida pra mim, eu sou uma pessoa bem diferente do que costumo encontrar, de uma forma geral, dificilmente me encaixo com as pessoas a minha volta, tenho os meus amigos, que são tão loucos e junkies quanto eu,mas dificilmente me encaixo no esteriotipo normal e funcional da sociedade.
tenho sonhos, medos, manias, como qualquer outra pessoa, mas de uma forma bastante diferenciada.
não sou menininha, não vejo novela, abonimo telejornais, não ouço rádio, prefiro a noite, não gosto de conversas vazias, não sou de ouvir qualquer música, e isso só pra começar.
dizem que viver não é pra qualquer um, sou um tipo desses aleijados exestenciais, que não sabem o que querem e nem o que não querem, e experimentam de tudo e de nada, seguir a vida desregrada e ao mesmo tempo atolado nas regras, é algo quase motivador, mas não, não é. MESMO!
estar no limbo do mundo, pode parecer muito cool, e é, não tenho dúvidas, mas é cansativo.
cansativo porque não estou nessa de limbo pra fazer tipo, estou porque não faço a menor ideia de como levar as coisas de uma forma diferente, minha mãe comentou dias átras que me acha um ser sensível demais pro mundo, senti isso como uma elogio meio misturado com uma constatação triste e doce do que me acontece.
ser sensível não tem nada a ver com fraqueza ou fragilidade, tem a ver com a forma como você se sente com o resto, o fato de me sentir tantas e tantas vezes de joelhos, só mostra o quanto não faço parte desse mundo.
estar de saco cheio da vida, é meio complicado, tanto de falar, quanto de alguém entender, acho que a única pessoa que realmente entende o que quero dizer ou o que eu queria dizer, não compartilha mais de uma vida comigo, querrendo ou não, ela era a única que entendia, que conseguia verbalizar a forma como eu expressava.
seja como for, o díficil é ter que viver, o dificil é ter que viver com tantas constatações contrárias ao óbvio.
é fancinantemente tardio sentir coisas tão singulares com tanta vida já vivida.
me falta coerência interna, é isso é meio assustador, me sinto estrangulada em mim mesma, porque falta bom senso de eu comigo mesma, falta aquela coerência pra tudo se fechar num ciclo sádio e aceitável pra mim e pra qualquer um.
seria extremamente patético, mas funcional acima de tudo se eu conseguisse equilibrar a tolerância com a zumbição que esperam de nós every day! ter essa formula mágica de equilibrar mente e corpo, ver e ser vista, viver e deixar viver, em que site encontro isso??
só sei fazer isso entupida de loucuras ilícitas e uns tarjas pretas, regadas a altas doses de vodca vagabunda e radiohead.
ahhh não disse que viver no limbo deixa a gente cool??
sou cool depressiva, com pitadas de loucura mundana.

no itunes: deftones - stripped

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