30 de maio de 2011


dores.
maiores e menores, no fim das contas, dores, fofocas do outro lado do mundo, planos dum inverno com neve, algumas verdades duras, muita coca-cola gelada e vodca, mapas rascunhados [custo a achar um lugar que não tenhamos rascunhado pra um dia ir mochilar], abraços com aquela espécie de amor meio físico-meio transcendental que só os amigos – porque no fundo, bem no fundo era mais isso - conseguem dar, risadas, conforto, olhos azuis, risadas engraçadas com sorrisos largos, sol ardido de campinas, garçom esperto, garçom nem tanto, a gente de garçom, luz, a voz doce no telefone, cheiro de alfazema, pílulas de calmaria, groselha, chocolate meio amargo, chorinho, pão com ovo e maionese, lembranças, barulho, verdes diferentes, asfalto, paralelepípedo, vaquinhas, coisas que acabam para nunca mais, coisas que continuam e mais coisas, que recomeçam todos os dias.
fucei, não agüento fuçar, mas mexi na sua carteira, a tampa do copo d’água cuja marca é o meu nome, que você tomou na Itália e guardou, quase me matou de chorar... seus documentos, 33 reais, moedas, o gabarito da prova de inglês do mestrado, cujas questões você acertou todas, fotos minhas e do Juju, passes de metrô, seu cartão do clube de arco e flecha, seu cartão da Aliança Francesa, seu cartão do clube de tênis de mesa – todas as coisas que você adorava ali, uma depois da outra em envelopinhos de plástico transparente.
talvez exista mesmo um sistema de posicionamento global que mostre, não onde estou, mas onde nunca pude estar.
o mundo que perdeu você não vai se recuperar.

no itunes: the hives - hey little world

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