31 de maio de 2011

pegando ar

eu não me vejo.
nem quando estou em frente ao espelho.
não me vejo.
não me vejo nem quando não existe mais nada, e em tantos e tantos dias que não existem nada, como hoje, eu acho que não existo.
eu já existi, já fui alguém, ser pensante, hoje sou isso, me tornei algo inexplicável.
seria eternamente mais facil e confortável dizer que o mundo me fez isso, que a matrix teve culpa, que meu pai teve culpa, que a sociedade teve culpa... não, ninguém teve culpa, ou melhor, alguém teve culpa e esse alguém sou eu.
não quero me limitar, então digo que fiz comigo gradualmente e sem perceber, ok, algumas vezes de propósito, mas na maioria das vezes me prejudiquei sem perceber, e quando percebi não era tarde, mas não queria mais voltar.
eu escolhi uma estrada a beira do penhasco pra percorrer e ela está ficando cada vez mais estreita.
vou cair.
quero cair.
não vejo a hora!

no itunes: bebel - dahling

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