16 de junho de 2011

está chovendo agora, enquanto eu estou escrevendo.
eu parei de trabalhar, abri a janela e olhei o céu, a cidade está coberta por nuvens, é como se fosse uma manhã vermelha, ou terracota, no tom correto.
não dá pra ver um pedacinho só do céu, pelo menos não da janela do meu escritório, e a chuva já dura uns 10 minutos.
ela é soprada gentilmente nas copas das árvores e nos telhados vizinhos, fazendo um som característico, mas muito mais suave, é como se fosse um van gogh em tons pastéis, e nada mais faz barulho no quarteirão, nem as máquinas, nem os carros, nem nada. as pessoas trabalham e a chuva cai e parece que só eu estou admirando isso, mas eu estou admirando porque não é simplesmente um cair de chuva, é diferente dos outros, aqui a chuva costuma cair em gotas gorduchas, rapidamente, sem dar tempo pra ninguém notar que ela passou.
e ela cai no pior horário pra apreciação: as fatídicas nove horas da manhã, que é hora do rush matinal pra maioria das pessoas, hoje ela está caindo sem muita força, em gotas minúsculas, tamborilando nas folhas das mangueiras, numa manhã nublada, vermelha e fria.
é quase como se eu estivesse em outro lugar.
é quase como se eu estivesse em um lugar que eu realmente pertenço,
é quase como se eu fosse feliz,
é quase como se eu não sentisse falta de nada.

no itunes: radiohead - idioteque

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